NECESSÁRIA NOTA                                                                                                                              

Prédios, como nós, envelhecem. E também passam, durante a vida útil, por choques, entorses, fraturas, insolações, golpes de ar, ressecamentos, banhos abundantes, suadouros, tremedeiras, infestações por parasitas e demais viroses.

São sujeitos, portanto, a inúmeros distúrbios ou "doenças", que, pela semelhança com as enfermidades humanas, acabaram recebendo, internacionalmente, a designação de patologias construtivas.

Desse modo, cada prédio poderá ser (não raro) um longevo e muito sensível paciente.

Não sei posso definir-me, a essa altura da jornada, como um clínico geral ou, ainda, simples aprendiz dos muitos defeitos e danos prediais.  Descobri, contudo, que os edifícios urbanos, apesar de silenciosos pacientes, conseguem "falar" de suas gestações e partos, de doenças e traumas sofridos, de remédios incorretos, de curativos improvisados e das necessárias cirurgias, frequentemente adiadas em favor de modismos de ocasião ou de equivocadas reformas, superficiais, apenas cosméticas.

E, nesses silenciosos testemunhos, eles também confidenciam, lamentam e reclamam de deformações estruturais, fissuras, trincas, rachaduras, infiltrações de chuvas, quedas de revestimentos rígidos (cerâmicas, "pastilhas"  de grés, texturados diversos, pedras naturais, etc), vazamentos em instalações hidráulico-sanitárias, focos de ferrugem em armaduras estruturais, divisórias ocas abrigando insetos/aranhas, etc, bem como da falta de eficazes restaurações correta e previamente especificadas via laudos ou pareceres técnicos - capazes de resgatar a primeira razão da sua existência: servir de digno e duradouro abrigo para o ser humano.

Anotei aqui, observei ali, comparei acolá, tentei ensinar como professor universitário e concluí, ao fim e ao cabo, que me convertera em terapeuta de longo curso; menos por ter acumulado experiência de um curioso enfermeiro e, mais, por encontrar-me imerso em interminável aprendizado, do qual cabia-me fazer repasse aos colegas de profissão mais interessados e aos inúmeros adquirentes de imóveis espalhados pelo país. 

Parodiando o genial Machado de Assis, o saber que desse trabalho resultará alguma utilidade - ainda que para proveito de alguns poucos e/ou sintomática indignação de muitos  -  já terá sido basta paga pelo trabalho realizado.

Desejo, ao visitante, muito bom proveito. 

Sylvio Nogueira 

 

 

 

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